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Abertura de capital de uma empresa na bolsa: veja como funciona

Após o início da pandemia, a quantidade de investidores na bolsa, especificamente na Bovespa, cresceu consideravelmente, mais que dobrando o número de CPFs cadastrados. E, se há um maior número de investidores, há também uma maior possibilidade de crescimento para o seu negócio. É por isso que fazer a abertura de capital de uma empresa na bolsa pode ser um excelente negócio.

No Brasil, não temos uma cultura muito forte quando se fala em bolsa de valores e não é por acaso que ainda temos poucas empresas com ações abertas em comparação a outros países.

São 500 empresas brasileiras que podem negociar na B3 (bolsa de valores oficial). Nos Estados Unidos, esse número sobe para mais de 7 mil. 

Um bom exemplo de uma empresa que abriu o seu capital e teve sucesso foi a Smart Fit. A rede de academias teve um IPO (oferta pública inicial) acima de R$ 2 bilhões e assim teve uma valorização da empresa em mais de 30% só no primeiro dia na bolsa.

Viu como abrir o capital da sua empresa na bolsa pode ser bastante rentável e promissor? Então, confira abaixo e saiba mais sobre como fazer isso e conquistar excelentes resultados.

Leia também: Resoluções para um ano melhor na sua empresa!

O que é a abertura de capital?

Para começar, precisamos entender um pouco melhor o que vem a ser o IPO, uma sigla em inglês que se refere a Initial Public Offering que quer dizer, em bom português, Oferta Pública Inicial como já dissemos aqui.

Essa oferta pública inicial nada mais é do que o momento em que uma empresa abre o seu capital para mais pessoas, ou seja, vende ações da companhia.

Quando você abre o capital da empresa quer dizer que você deixa de ser o único dono (sendo o sócio majoritário na maioria das vezes) e passa a ser sócio, ou seja, a empresa passa a ter outros donos. Essas “partes” da empresa que são vendidas para outras pessoas chama-se ações e o IPO representa o valor inicial que as pessoas dão por essas ações.

A partir desse momento, a empresa passa a ser uma Sociedade Anônima de Capital Aberto.

O momento da abertura do capital de uma empresa é aguardado por diversos investidores. Eles enxergam uma grande possibilidade de lucro, pois é no IPO que, provavelmente, as ações estão com os preços mais baixos.

Por que abrir o capital de uma empresa?

Você pode estar se perguntando porque deve abrir o capital da sua empresa. Normalmente, o principal objetivo é conseguir investidores.

Digamos que você tenha um grande projeto em curso, algo que pode trazer muitos lucros, mas, para conseguir colocá-lo em prática, precisa de recursos, ou seja, precisa de dinheiro, o qual você não possui.

A solução? Encontrar investidores. E a forma mais fácil de fazer isso é abrindo o capital da sua empresa na bolsa de valores.

Vamos detalhar melhor quais as principais vantagens de ter uma empresa com capital aberto. Confira abaixo:

Acesso a capital

O acesso a capital é, basicamente, o que acabamos de falar, ou seja, encontrar investidores.

É claro que não é só para investir em um novo projeto, pois os motivos para precisar de mais dinheiro são vários! Pode ser, por exemplo, que você queria dar um novo passo e investir na empresa, oferecer novos serviços, contratar mais pessoas e assim por diante.

Trata-se de uma alternativa melhor, por exemplo, a empréstimos, pois esse capital conquistado é livre de juros. Sem contar que os acionistas costumam ser mais flexíveis, pois alguns podem estar dispostos a abrir mão dos lucros (total ou parte dele) no curto prazo para conseguir algo melhor no futuro. 

Além disso, acaba sendo uma fonte de recursos quase que inesgotável, basta que você aplique bem o capital já conquistado e tenha transparência sobre tudo o que está sendo feito pela empresa.

Vantagem competitiva

Quando uma empresa abre o capital, além de conseguir investimento, ela também consegue maior visibilidade e, melhor ainda, credibilidade.

Uma empresa que está na bolsa possui diversos sócios, dos mais diversos lugares do país e até do mundo e, portanto, precisa ser o mais transparente possível sobre o que faz com o dinheiro que foi e está sendo investido.

Essa transparência gera maior credibilidade entre todos, não só entre os investidores (acionistas), mas também para qualquer pessoa que queira se tornar um investidor da empresa. E essa credibilidade, por sua vez, pode ser uma excelente vantagem competitiva no seu nicho de atuação.

Liquidez patrimonial

Abrir o capital da empresa significa ter dinheiro a qualquer momento e é justamente isso o que caracteriza a liquidez patrimonial.

Quando uma pessoa se torna acionista de um empreendimento, significa que ela comprou com dinheiro, uma parte da empresa. Esse dinheiro, por sua vez, vai para o caixa do negócio e pode ser usado a qualquer momento, de forma responsável é claro e com o crescimento do próprio negócio.

Além disso, nada impede que você coloque mais ações da empresa caso precise transformar parte dela em dinheiro que possa ser usado para novos investimentos. Portanto, a liquidez patrimonial que uma empresa com capital aberto pode trazer é imensa.

Imagem institucional

Quando um empreendimento decide abrir o capital e entrar na bolsa de valores, antes disso, ela precisa adequar os seus processos internos a essa nova realidade, o que, por sua vez, significa elevar o nível de transparência sobre os resultados e também sobre as operações.

Isso vai ajudar na decisão de futuros acionistas, pois, quanto mais transparente uma empresa for, maior a possibilidade e mais pessoas desejarem investir nela.

E toda essa mudança pode ter dois resultados excelentes. O primeiro deles é o ganho de credibilidade no mercado, pois o negócio passa a ter um grau de governança corporativa mais elevado. O segundo é a maior visibilidade e, por consequência, maior reconhecimento no nicho de atuação.

Requisitos para a abertura de capital na bolsa

Quanto antes você preparar a sua empresa para um IPO, melhor. Ainda que esses planos sejam para um futuro um pouco mais distante, vale a pena começar a se preparar desde agora.

E, já alertamos que abrir um IPO é algo demorado, pois há muitas documentações envolvidas e questões burocráticas que possuem prazos para serem resolvidas. Portanto, tudo o que você puder fazer para adiantar o lado da empresa é uma boa opção.

Profissionalização do negócio

Um dos documentos necessários é o histórico com os resultados dos últimos 3 exercícios da empresa. É preciso tanto um registro contábil quanto financeiro. 

Esse é outro motivo pelo qual você deve organizar as finanças do seu empreendimento desde o primeiro momento. Afinal de contas, nunca se sabe quando será necessária essa informação. Essa apresentação financeira e contábil será importante não só para questões burocráticas em si, mas também para atrair mais compradores de ações.

Formalização de processos

Significa a reestruturação de processos internos dentro da empresa e também a identificação dos processos e análise. Você precisará avaliar se os processos do jeito que estão são capazes de acompanhar o novo momento do negócio.

Esse ponto também está relacionado com a segurança que a empresa é capaz de oferecer para guardar as informações dos acionistas e da própria empresa para não cair em mãos erradas.

Será preciso reavaliar os procedimentos internos e “passar um pente fino” para detectar qualquer tipo de falha que possa aparecer.

Responsabilidades administrativas

Aqui temos que falar sobre dois pontos que são de grande relevância quando o assunto é abertura de capital: governança corporativa e compliance.

Uma boa governança corporativa é capaz de trazer maior confiança para o futuro acionista da empresa. Mas o que é isso? O que é essa tal governança corporativa?

Trata-se de um conjunto de políticas, leis e práticas internas que caracterizam a forma com a qual a empresa é administrada. Em resumo é a maneira como você “leva” a empresa no dia a dia. Assim, um negócio com uma boa governança corporativa consegue:

  • evitar conflitos internos e externos;
  • melhorar a imagem frente ao mercado;
  • aumentar o próprio valor de mercado;
  • atrair bons investidores.

Já a compliance está diretamente associada à governança. Ela é a confirmação de que essas boas práticas estão, de fato, sendo atendidas pela empresa. 

Dessa maneira, leva em consideração alguns fatores como normas trabalhistas, regulatórias, ambientais, lei anticorrupção, código de conduta da empresa, a legislação de uma forma geral e assim por diante. Quanto maior o grau de compliance do negócio, melhor para atrair mais acionistas.

Leia também: Compliance: o que é e qual a importância para sua empresa?

Como funciona o processo de abertura de capital

Já falamos sobre o que você precisa para abrir o capital da sua empresa e agora chegou o momento de colocar a mão na massa. Vejamos abaixo tudo o que você vai precisar para concretizar esse objetivo.

Passo 1: considerações estratégicas e planejamento

O ideal é que essa etapa comece a ser realizada, cerca de 1 a 2 anos antes do IPO. Aqui você deve fazer um diagnóstico da empresa e entender como ela está de forma geral. É a partir deste ponto que você saberá quais são os próximos passos.

É aqui também que você precisa pensar novamente se um IPO é a melhor opção para o seu negócio. Como se trata de um projeto de alto risco (afinal de contas, você deixa de ser dono de 100% da empresa e passa a ser apenas de parte dela), é preciso, antes de mais nada, considerar todas as outras opções. 

Nesta etapa você deve verificar todas as opções que podem deixar a sua empresa mais atraente para a primeira oferta na bolsa. Por exemplo, você pode fechar uma parceria de sucesso com algum nome conhecido no mercado de atuação.

Faça também o levantamento de todos os custos necessários para abrir o capital da empresa. Saiba que não é algo barato, por isso, é muito importante não pular esta etapa para não perder tempo e, depois de meses, perceber que não é uma alternativa viável.

Passo 2: monte sua equipe

Agora que você já possui uma base sólida para o seu projeto e tem a certeza de que é realmente este caminho que deseja seguir, chegou o momento de formar uma equipe.

Você vai precisar de pessoas que entendam do assunto para separar todos os documentos contábeis e financeiros necessários para a abertura de capital. 

Quando falamos de equipe, estamos querendo falar sobre um conjunto de empresas que vão te ajudar nessa caminhada. Por exemplo, escritórios de advocacia, contabilidade, bancos de investimento, consultores e assim por diante.

É claro que você também pode contratar pessoas, ou seja, especialistas na área para trabalhar internamente nesse projeto. Analise o custo-benefício dessa escolha e siga adiante.

Passo 3: registro

Aqui, com toda a documentação pronta, você deverá fazer o registro da sua empresa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse é o órgão fiscalizador das bolsas de valores e, portanto, é necessário passar por ele primeiro para só então fazer parte da bolsa.

Além desse registro, você também precisa pedir um outro, um de listagem na BM&FBovespa.

Depois disso finalizado, você deve avisar ao mercado que já fez o pedido e que o mesmo já está protocolado junto aos órgãos competentes. Isso vai deixar os interessados em alerta para que a qualquer momento possam fazer a oferta.

Passo 4: monte o prospecto

O prospecto é um tipo de informação na qual está o histórico operacional da empresa. Afinal de contas, ninguém vai investir em um negócio sobre o qual não possui qualquer informação.

Sendo assim, esse prospecto serve para dar maior segurança para aqueles que pretendem comprar alguma ação da sua empresa. Além do momento atual, é preciso registrar nele os resultados dos últimos três exercícios.

Além do prospecto, você vai precisar de outros documentos e cumprir com alguns requisitos como:

  • Formulário cadastral: principais informações de valores mobiliários emitidos;
  • Formulário de referência: informações sobre a empresa como condição financeira, atividades e outras;
  • Contrato de distribuição: é a formalização entre a empresa e coordenadores da oferta;
  • Anúncios e avisos: uma exigência da CVM que todos os participantes tenham o mesmo nível de informações;
  • Demais contratos: de estabilização, de empréstimo de ações, entre outros. 

Passo 5: produção de contratos e auditoria

Como o próximo passo já é o IPO em si e a data está mais perto do que nunca, nesta etapa o setor jurídico contratado deve redigir os contratos para a transferência de propriedade para quem compra ações do seu negócio.

Outro acontecimento aqui é a auditoria das demonstrações financeiras e contábeis. Elas devem ser realizadas por especialistas na área de contabilidade societária.

Passo 6: busca por investidores

Essa etapa, que também é conhecida como Roadshow, é um momento de “preparação do mercado”, ou seja, de mostrar a potenciais investidores as principais vantagens e benefícios que terão ao comprar ações da empresa. 

Também há outro objetivo nessa etapa: despertar o interesse de outros investidores, com maior potencial de compra e que não compareceram à reunião.

Além disso, são convidados para essa apresentação da empresa analistas financeiros e principais corretoras do mercado.

Os investidores em questão são pessoas com alto poder de decisão dentro das empresas como o presidente e sócios. O que conta nesse momento será o seu poder de convencimento, sim, você será como um vendedor, afinal de contas, você precisará mostrar para eles que investir na sua empresa é um bom negócio e que comprar partes dela pode oferecer grandes lucros.

E saiba que essa é uma das etapas mais demoradas para a abertura de capital. A busca pelos investidores costuma durar semanas como diversas reuniões todos os dias até alcançar a meta estipulada desde o início.

Passo 7: IPO: o grande dia

Finalmente chegou o grande dia — Dia D — e as ações da sua empresa serão negociadas na bolsa de valores. Por isso, é bom deixar a equipe em alerta caso surja algum problema que precise ser resolvido com urgência. 

Lembre-se: a primeira impressão é a que fica, portanto, esteja preparado.

E para isso, é necessário que você compreenda alguns conceitos básicos sobre oferta primária e oferta secundária.

Oferta primária

Acontece quando as ações são vendidas diretamente pela empresa, sendo assim, naturalmente, as novas ações emitidas pelo empreendimento. Esse tipo de oferta é utilizada para expandir o capital da empresa e o dinheiro vai diretamente para ela. É um capital que costuma ser utilizado para expandir os negócios aplicando em novos investimentos.

Oferta secundária

Nesse caso, a ação é vendida por um terceiro que já havia comprado a ação da empresa na oferta primária. Por algum motivo, essa pessoa precisou vender a ação que tinha e, nesse caso, logicamente, o dinheiro da venda dessa ação não vai para a empresa, mas sim para o terceiro que acaba de efetuar a venda.

Processo de registro CVM e BM&FBovespa

CVM

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é o órgão fiscalizador das bolsas de valores, ou seja, ela trabalha para que todas as normas sejam cumpridas não só pelas bolsas como também pelos acionistas.

Será necessário entregar as seguintes documentações para que a CVM aprove o seu registro junto a ela:

  • regulamento do fundo;
  • declaração do administrador do fundo de que tudo está de acordo com a lei;
  • dados de registro em cartório de títulos e documentos;
  • declaração do administrador do fundo de que firmou contratos;
  • nome do auditor independente;
  • inscrição do fundo no CNPJ;
  • lâmina de informações essenciais.

Caso você ainda tenha dúvidas sobre quais documentações enviar, você pode entrar diretamente no site da CVM e entrar em contato para que eles mandem a lista completa e mais detalhada do que vem a ser cada documento.

Chegando à CVM, a sua empresa passará pelas etapas abaixo até o IPO de fato:

  1. Análise Preliminar;
  2. Contratação de Auditoria Externa Independente;
  3. Contratação de Intermediário Financeiro;
  4. Adaptação dos Estatutos;
  5. Contrato de Coordenação e Distribuição;
  6. AGE deliberativa da operação Autorização da Assembleia Geral;
  7. Nomeação de um Diretor de relações com Investidores;
  8. Criação de uma área de atendimento aos acionistas/debenturistas;
  9. Processos de obtenção dos registros na CVM (registro da emissão e registro de companhia);
  10. Processo de registro da empresa em Bolsa de Valores ou no Mercado de Balcão Organizado;
  11. Anúncio de início de distribuição pública;
  12. Anúncio de encerramento de distribuição pública. 

A melhor maneira para que tudo corra bem e sem sustos é se organizar muito e ter profissionais especializados no assunto à frente da situação.

BM&FBovespa

Você deve ter notado que uma das etapas mencionadas acima é o processo de registro em bolsa de valores ou no mercado de balcão organizado. Bom, a bolsa de valores com maior credibilidade no país, a principal, é a BM&FBovespa.

Por isso, é de grande importância que você saiba exatamente quais documentos vai precisar entregar e requisitos que precisa cumprir nessa parte do processo. Vejamos:

  • 3 anos de balanço auditado por um auditor independente e devidamente registrado na CVM. Para empresas com menos de 3 anos, é preciso que seja auditado todo o período de existência da mesma;
  • ter diretor de RI estatutário e ter um conselho de administração;
  • definir estratégia da oferta e registrá-la na CVM;
  • a empresa deve ser uma sociedade constituída sob forma de S.A.
  • deve ter ou obter um registro de companhia na categoria A na CVM;
  • identificar eventual segmento de listagem e fazer o pedido de listagem na B3.

Colocar em prática a abertura de capital de uma empresa, de fato, não é algo simples e requer muito planejamento, organização e dedicação. Sendo assim, a sua etapa principal e, talvez, a mais importante, seja a de contratar pessoas que realmente saibam o que estão fazendo e que possam te orientar em cada etapa do processo.

Você, provavelmente, ainda tem dúvidas sobre o assunto. Deixe sua pergunta nos comentários! Vamos ficar felizes em poder te ajudar.

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